Dúvidas Frequentes em Bariátrica
“Quando a cirurgia é indicada ?” As indicações padrões adotadas no mundo inteiro são o IMC acima de 40 ou IMC entre 35 e 40 na presença de doenças associadas (hipertensão , diabetes, artrose,...)
"A cirurgia tem muitas complicações?" Não é verdade. Complica bem menos que a própria doença obesidade, que leva ao diabetes, hipertensão arterial, doença coronariana, artroses, etc. E nos centros especializados, onde as cirurgias são realizadas diariamente, a incidência de complicações e óbitos é menos da metade dos outros serviços (veja publicação Dr. Buchwald - ASMBS).
"Algumas técnicas cirúrgicas complicam mais que outras?" Isso é verdade. As cirurgias malabsortivas tem mais complicações graves que as mistas e que as restritivas. Porém, se considerarmos apenas as complicações não-graves, as restritivas estão na liderança.
“Qual a diferença entre a cirurgia aberta e a cirurgia por videolaparoscopia?” A diferença está no acesso através da parede abdominal. Lá dentro são iguais. A dieta pós-operatória é a mesma e o emagrecimento também. A videolaparoscopia é a técnica de se operar por pequenas incisões, com auxílio de câmaras e pinças, sem grandes traumas. Tem as vantagens da menor dor, recuperação mais rápida, menor índice de infecções e hérnias, além de ter melhores resultados estéticos.
“Se eu fizer a cirurgia aberta, terei de operar uma segunda vez por causa da hérnia?” A chance é em torno de 10%, principalmente se for fumante ou se tiver uma grande obesidade obdominal.
"Como saber se faço aberta ou video?" Sempre pensamos primeiramente na video. Raramente haverá uma contraindicação clínica. Havendo possibilidade administrativa (convênio compatível ou disponibilidade financeira), a vídeo pode ser realizada.
“Me disseram que após a cirurgia, eu perco minha vida social devido as diarréias. Acontece mesmo?” Não. As técnicas mistas e restrivas não modificam o hábito intestinal. Mesmo nas malabsortivas onde a diarréia pode ser mais comum, não é a regra.
“Redução de estomago causa perda da memória?” Não. Não há fundamento nenhum para essa pergunta. A dúvida deve ter surgido porque alguns pacientes acabam se "esquecendo" de como eram antes de operar...
“O que é o Dumping? Todos que operam tem esse “defeito” pós cirurgia?” São sintomas que incluem mal-estar, sudorese, sensação de desmaio e dor abdominal. Está presente na maioria dos pacientes nos primeiros 6 meses de PO, pode estar presente por anos. Ocorre após o consumo de alimentos pastosos/líquidos muito doces ou muito concentrados (creme de leite). É passageiro e não tem consequências mais graves. No pré-operatório, a nutricionista reforça os cuidados para evitá-lo.
“Adoro refrigerante e quero operar. Depois de operado nunca mais vou poder tomar devido ao tamanho do meu novo estomago?” Pode sim, mas espere pelo menos 6 meses. Mas lembre-se: só diet ou light, em quantidades moderadas e considere a possibilidade de parar definitivamente. Não seria nada mal.
“Fiz a cirurgia Capella sem Anel e engordei acho que por isso. Qual a diferença de Capella sem Anel e com Anel?” É preciso esclarecer que originalmente a Cirurgia de Capella (Derivação Gástrica em Y de Roux com anel de contenção) é sempre realizada com anel e o país onde ela é mais realizada é o Brasil. Nos Estados Unidos, as cirurgias com anel não chegam a 3%. São as chamadas simplesmente de DGYR ou Roux-en-Y Gastric Bypass ou Bypass Gástrico. Existem alguns trabalhos que sugerem que a perda de peso seria maior com anel. Também penso assim. Mas é bem verdade que o paciente bem preparado, que muda de vida, segue com a equipe, foge do sedentarismo, faz exames e toma vitaminas, terá um bom emagrecimento e dificilmente ganhará peso de maneira significativa, independentemente se tem anel ou não.
“Vejo alguns amigos operados que bebem muita cerveja! Pode beber após a cirurgia?” "Muito" não pode nem comer, nem beber. Em relação às bebidas alcoólicas, orientamos ter bastante cuidado e restrições. Primeiro porque engordam. Depois porque o manejo de limites dos pacientes operados é complicado. E álcool sem limites não dá certo.
“Depois de operado, é verdade que precisa tomar um remédio o resto da vida?” Apenas uma vitamina.
“Minha amiga está ficando careca e fez redução de estomago a pouco tempo. Depois que eu fizer minha cirurgia também vou ficar careca?” Não. A queda de cabelo relaciona-se com o emagrecimento acentuado, mesmo que não seja após cirurgia de gastroplastia. E é transitório e não está presente em todos.
“Vou operar semana que vem e quero fazer uma despedida em um churrascão! Posso comer até algumas horas antes da cirurgia?” Nem pensar. Hoje prescrevemos dieta líquida 3 dias antes da cirurgia para melhorar o preparo. E se engordar antes é melhor adiar a cirurgia. Lembre-se: poderá comer de tudo após a cirurgia, não precisa se despedir de nada.
“Quero sempre emagrecer depois da cirurgia! É verdade que vou sempre perder peso mesmo comendo?” Não pense em milagre. O emagrecimento ocorre até atingir um equilíbrio entre o consumo e o gasto. Se exagerar em comer, pode engordar.
“O que é a tal da fístula? Vejo muito por aí falar disso. É grave?” É um vazamento que pode ocorre após uma cirurgia. Não é exclusiva das cirurgias do aparelho digestivo; também podem ocorrer após cirurgias urológicas, ginecológicas, neurocirurgias, etc. Podem ser graves porque pode levar a infecções potencialmente fatais. Felizmente a ocorrência de fístulas tem sido cada vez mais baixa e menos graves.
“Tem algum alimento que nunca mais vou poder comer?” Bagaços da laranja, palmito duro, coco em pedaços podem obstruir.
“Quanto tempo de dieta líquida é feito pós cirurgia? Posso então beber coca-cola nesse período?” 20 dias. E nada de gasosos.
“Tenho diabetes! Vou ficar sem ela após a cirurgia?” É quase certo. A chance é de 95%.
“Esse negócio de acompanhamento psicológico depois da cirurgia é só para os gordinhos loucos né? Precisa mesmo? Por que?” O objetivo primordial das cirurgias bariátricas é o ganho de Qualidade de Vida. Assim, toda ajuda é bem-vinda. Readaptação social, imagem corporal, lidar com ansiedades e comportamentos compulsivos serão melhor tratadas com profissionais da área. E não significa que são loucos, ok? Muitas vezes são detalhes tidos como 'normais', ou seja, sem diagnóstico, que podem comprometer os resultados pós-operatórios. Oriento que discuta isso durante a avaliação psicológica pré-operatória e faça a sua programação.
“Quanto tempo após a cirurgia posso jogar um futebol ou praticar algum esporte?” Pode fazer academia com supervisão após 1 mês. Esportes após 3 meses. Para exceções, tire dúvidas com a equipe.
“Depois da cirurgia, o olfato e paladar mudam?” Pode acontecer, mas é raro. Ainda não temos uma explicação científica convincente para esses casos. Não confundir com as intolerâncias pessoais, com as eventuais náuseas pós-operatórias ou mesmo com as modificações do apetite, que é o desejo de comer algum alimento em especial. Os casos que presenciei tinham um componente psiquiátrico ou algum desarranjo na vida pessoal em paralelo.
“Vômitos! Depois de operado, isso é pra sempre?” Não. Eles só aparecem quando come-se muito, rápido ou sem mastigar bem. Com o tempo e o cultivar dos novos hábitos, eles se tornam cada vez mais raros. Muitos pacientes operados nunca apresentaram vômitos. E caso sejam persistentes, deve-se investigar problemas na cirurgia.
“Tem um tal de Dreno que usa-se após a cirurgia. O que é isso? Precisa de uma outra operação para tirar? Dói a retirada?” O dreno é colocado nas cirurgias de Capella, abertas e videos. É importante para a saída de líquidos pós-operatórios e para monitorizar a ocorrência de fístulas. Geralmente é retirado no sétimo dia. Não dói.
“Óbitos na cirurgia de redução de estomago! Quando e como pode acontecer?” Pode ocorrer por causa de complicações da cirurgia (fístulas, infecções,...) ou por motivo relacionado às doenças associadas (infarto, embolia,...).
“É verdade que temos muitos problemas de gases depois de operado?” Não, apenas os submetidos a algum tipo de cirurgia malabsortiva, tipo Scopinaro ou Duodenal-Switch.
“Menor de idade pode operar? Quando isso acontece?” Antes dos 12 anos somente em casos raros, portadores de síndromes genéticas especiais. Entre 12 e 18 anos é permitida desde que haja um preparo adequado e concordância entre a equipe, paciente e família.
“Fumante pode operar também? ”Pode, mas deve tentar parar de fumar antes para diminuir a chance de complicações.
“A pílula, após a cirurgia, é proibido? E devido a falta de absorção de vitaminas ela pode não fazer efeito?” Negativo; pode reiniciar a pílula poucos dias depois da cirurgia. Não existe comprovação de alteração de sua eficácia pós-operatória.
“Depois de operada, posso engravidar? Meu bebê terá boas condições vitamínicas?” Pode sim. O bebê terá mais saúde do que se estivesse grávida e obesa. Mas a mãe deve estar tomando regularmente suas vitaminas e continuar ou iniciar o uso de ácido fólico 5 mg por dia.
“Moro em outro país e quero fazer a redução de estomago na clínica bariátrica! Eu posso?” Sim, temos programas especiais para isso!
“Depois da cirurgia é normal engordar alguns quilinhos? Depois de quanto tempo?” É normal ocorrer uma pequena recuperação de peso que pode chegar, em alguns casos, até 5 ou 10 kg. Se for maior, algo está errado: procure novamente a equipe para uma investigação.
“Me arrependi da cirurgia, posso revertê-la? É complicado?” Pode, mas não é simples. E vai engordar tudo de novo. Em nossa experiência, paciente bem preparado não pensa em fazer isso.
“A cirurgia plástica é obrigação da clínica fazer após algum tempo devido a sobra de pele?” É claro que não! A cirurgia bariátrica é um procedimento que visa a saúde, a melhora ou cura de doenças associadas e o ganho em qualidade de vida. A cirurgia plástica visa a estética. Mesmo em situações onde ocorreriam ganhos funcionais com a remoção do excesso de pele, ela deve ser realizada por um cirurgião plástico especialista. Essa opinião tem embasamento jurídico. Também lembrando que pacotes promocionais de "faça sua bariátrica e ganhe a plástica" são proibidos pelo CFM.
“Sexo: quando posso fazer depois de operado?” Assim que estiver bem recuperado(a), ou seja, alguns dias após a Banda, uns 15 dias após as demais videos e uns 30 dias após as cirurgias abertas.
“Sou louco(a) por chocolate! Posso comer depois da cirurgia?” Pode comer de tudo, mas com moderação. Quanto mais você se permitir abrir exceções, mais difícil será o controle do peso.
“Mau hálito. Existe mesmo depois da cirurgia?” Não. Pode ocorrer nos primeiros 30 dias, em virtude da cetose do dieta rígida. Mas depois passa.
“Vejo por aí que existem muitas técnicas que me deixam comer bastante mesmo depois de operado! Quem decide a técnica que vou ser operado?” Isso pode ocorrer com as técnicas malabsortivas. O preço a pagar?...muitas evacuações por dia, fezes muito mal cheirosas, etc. Na verdade hoje existem poucos cirurgiões que fazem essas cirurgias. Você deve se informar antes.
estarei postando algumas dicas,perguntas e respostas e contando um pouco do dia a dia pós bariátrica
domingo, 1 de maio de 2016
BYPASS GÁSTRICO (Fobi - Capella)
BYPASS GÁSTRICO (Fobi - Capella)
Cirurgia mista com predomínio da restrição alimentar
- Redução significativa do reservatório gástrico (volume de de ± 50ml).
- Não há ressecção do estômago, apenas divisão do mesmo. A parte desviada (maior) é preservada mantendo-se sua irrigação.
- O estômago desviado não recebe mais alimentos e fica inacessível ao exame de endoscopia habitual. O duodeno também é inacessível ao exame endoscópico.
-Há um pequeno desvio intestinal e o alimento não percorre o duodeno e jejuno proximal. Este desvio, apesar de favorecer alguma vantagem metabólica, provoca prejuízo na absorção de nutrientes não calóricos (ferro, cálcio, outros).
- Inclui duas anastomoses (emendas): entre o estômago e o intestino e entre o próprio intestino.
VANTAGENS: perda de peso adequada e duradoura, com baixo índice de insucesso. Trata também a doença do refluxo. Apresentam taxas aceitáveis de complicações a longo prazo. São potencialmente reversíveis, embora com dificuldade técnica. Apresentam bons resultados em termos de melhoria da qualidade de vida e doenças associadas.
Essa operação também apresenta efeitos metabólicos independentes da perda de peso. Ocorrem modificações funcionais e hormonais do tubo digestivo, com efeitos benéficos adicionais sobre o controle ou reversão das comorbidezes metabólicas, em especial sobre o diabetes tipo 2.
DESVANTAGENS: tecnicamente complexa; acesso limitado ao estômago excluído e ao duodeno para métodos radiológicos e endoscópicos; passíveis de complicações como deiscência de suturas; maiores chances de deficiências nutricionais (protéicas, minerais e vitamínicas) do que as cirurgias restritivas. Portanto maior índice de anemia e deficiência de calcio (osteopenia e osteoporose precoce), vitamina B12, etc.
Obs: Acreditava-se que a colocação de um anel estreitando a passagem pelo reservatório antes da saída da bolsa para a alça jejunal retardaria o esvaziamento para sólidos, aumentando, ainda mais, a eficácia dos procedimentos. Atualmente, a literatura aponta para resultados benéficos semelhantes com ou sem anel. Complicações nutricionais podem ser mais frequentes com a colocação do anel.
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GASTRECTOMIA VERTICAL (Sleeve Gastrectomy)
Procedimento Restritivo
- Ressecção de aprox. 70 a 80% do estômago. Não deixa parte do estômago exclusa ou inacessível a exame endoscópico
- Estômago remanescente fica com ± 150ml.
- Irreversível, porém sem motivo para suposta reversão, uma vez que não prejudica a absorção de nutrientes.
- Não incluiu anastomoses ou desvios do trânsito alimentar, vantagem que não elimina completamente a possibilidade de complicações.
- Redução da produção de Grelina (hormônio que causa fome e dificulta o emagrecimento).
- Deve ser realizada por equipes bem treinadas.
- Preserva mais a fisiologia digestiva ( o alimento percorre o caminho normal no intestino sem desvios ).
- Como não há desvio intestinal, não há prejuízo na absorção de nutrientes não calóricos (ferro, cálcio, zinco, vitaminas, etc). O duodeno, região nobre e importante na digestão e absorção de nutrientes não calóricos, assim como qualquer outra porção intestinal não são excluídas do trânsito alimentar.
- Permite acesso às vias biliar e pancreática pelos métodos endoscópicos habituais (Exemplo em situações de cálculo na via biliar pode ser realizado uma abordagem endoscópica normalmente da papila, evitando uma cirurgia de maior porte).
- Em caso de insucesso (pouca perda de peso), pode ser facilmente convertida num procedimento com algum componente disabsortivo como o bypass gástrico ou derivação bilio-pancreática com duodenal switch.
DESVANTAGENS
- Método irreversível (apesar de haver pouco motivos para uma suposta reversão).
- Apesar da aparente simplicidade da técnica, deve ser realizada apenas por equipes bem preparadas ou experientes em cirurgia bariátrica, pois pode ocorrer complicações de alta gravidade e por vezes de difícil tratamento, como a fístula junto a ângulo de Hiss (junção esôfago-gástrica).
- Atualmente ainda existem poucos dados consistentes quanto à sua eficácia a longo prazo na perda e manutenção do peso, entretanto os dados atualmente existentes são satisfatórios.
Cirurgia mista com predomínio da restrição alimentar
- Redução significativa do reservatório gástrico (volume de de ± 50ml).
- Não há ressecção do estômago, apenas divisão do mesmo. A parte desviada (maior) é preservada mantendo-se sua irrigação.
- O estômago desviado não recebe mais alimentos e fica inacessível ao exame de endoscopia habitual. O duodeno também é inacessível ao exame endoscópico.
-Há um pequeno desvio intestinal e o alimento não percorre o duodeno e jejuno proximal. Este desvio, apesar de favorecer alguma vantagem metabólica, provoca prejuízo na absorção de nutrientes não calóricos (ferro, cálcio, outros).
- Inclui duas anastomoses (emendas): entre o estômago e o intestino e entre o próprio intestino.
VANTAGENS: perda de peso adequada e duradoura, com baixo índice de insucesso. Trata também a doença do refluxo. Apresentam taxas aceitáveis de complicações a longo prazo. São potencialmente reversíveis, embora com dificuldade técnica. Apresentam bons resultados em termos de melhoria da qualidade de vida e doenças associadas.
Essa operação também apresenta efeitos metabólicos independentes da perda de peso. Ocorrem modificações funcionais e hormonais do tubo digestivo, com efeitos benéficos adicionais sobre o controle ou reversão das comorbidezes metabólicas, em especial sobre o diabetes tipo 2.
DESVANTAGENS: tecnicamente complexa; acesso limitado ao estômago excluído e ao duodeno para métodos radiológicos e endoscópicos; passíveis de complicações como deiscência de suturas; maiores chances de deficiências nutricionais (protéicas, minerais e vitamínicas) do que as cirurgias restritivas. Portanto maior índice de anemia e deficiência de calcio (osteopenia e osteoporose precoce), vitamina B12, etc.
Obs: Acreditava-se que a colocação de um anel estreitando a passagem pelo reservatório antes da saída da bolsa para a alça jejunal retardaria o esvaziamento para sólidos, aumentando, ainda mais, a eficácia dos procedimentos. Atualmente, a literatura aponta para resultados benéficos semelhantes com ou sem anel. Complicações nutricionais podem ser mais frequentes com a colocação do anel.
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GASTRECTOMIA VERTICAL (Sleeve Gastrectomy)
Procedimento Restritivo
- Ressecção de aprox. 70 a 80% do estômago. Não deixa parte do estômago exclusa ou inacessível a exame endoscópico
- Estômago remanescente fica com ± 150ml.
- Irreversível, porém sem motivo para suposta reversão, uma vez que não prejudica a absorção de nutrientes.
- Não incluiu anastomoses ou desvios do trânsito alimentar, vantagem que não elimina completamente a possibilidade de complicações.
- Redução da produção de Grelina (hormônio que causa fome e dificulta o emagrecimento).
- Deve ser realizada por equipes bem treinadas.
- Preserva mais a fisiologia digestiva ( o alimento percorre o caminho normal no intestino sem desvios ).
- Como não há desvio intestinal, não há prejuízo na absorção de nutrientes não calóricos (ferro, cálcio, zinco, vitaminas, etc). O duodeno, região nobre e importante na digestão e absorção de nutrientes não calóricos, assim como qualquer outra porção intestinal não são excluídas do trânsito alimentar.
- Permite acesso às vias biliar e pancreática pelos métodos endoscópicos habituais (Exemplo em situações de cálculo na via biliar pode ser realizado uma abordagem endoscópica normalmente da papila, evitando uma cirurgia de maior porte).
- Em caso de insucesso (pouca perda de peso), pode ser facilmente convertida num procedimento com algum componente disabsortivo como o bypass gástrico ou derivação bilio-pancreática com duodenal switch.
DESVANTAGENS
- Método irreversível (apesar de haver pouco motivos para uma suposta reversão).
- Apesar da aparente simplicidade da técnica, deve ser realizada apenas por equipes bem preparadas ou experientes em cirurgia bariátrica, pois pode ocorrer complicações de alta gravidade e por vezes de difícil tratamento, como a fístula junto a ângulo de Hiss (junção esôfago-gástrica).
- Atualmente ainda existem poucos dados consistentes quanto à sua eficácia a longo prazo na perda e manutenção do peso, entretanto os dados atualmente existentes são satisfatórios.
Alimentação após a Cirurgia
Alimentação após a Cirurgia
Os primeiros dias de alimentação pós cirúrgica são específicos e devem ser seguidos para evitar algumas complicação.
As modificações ocorrem por fases: liquida, pastosa, purê, mole e consistência normal, mas deverá seguir de acordo com cada paciente.
Fase 1. Alimentação líquida restrita (7 dias)
Os alimentos estão na forma líquida (caldos), constituída de pequenos volumes, cerca de 100 a 150 ml, fracionados em 6 a 8 vezes ao dia, respeitando um intervalo de 2 horas entre as refeições. Os alimentos deverão ser tomados lentamente, demorando cerca de 40 minutos para ser ingerido.
A atenção especial nessa fase é a forma de ingestão dos alimentos, volume alimentar ingerido, fracionamento e preparo dos alimentos.
Essa fase é constituída de água, chá ervas, gelatina diet, sucos naturais coados, caldos, sopas liquidificadas, leite desnatado, vitaminas ralas, iogurte dietético sem pedaços.
Recomendações: Atenção na forma de ingestão dos alimentos – principalmente VELOCIDADE - e na hidratação, através da coloração da urina (urina escura pode ser sinal inicial da desidratação), sede e língua e boca secas.
Fase 2. Dieta Pastosa:
Esta fase caracteriza-se por consistência de sopa cremosa/pastosa.
Os alimentos da sopa deverão ser liquidificados e coados em peneiras fina e grossa, de acordo com orientação nutricional.
Nesta fase a quantidade a ser ingerida é a mesma da primeira semana, de 100 a 150 ml, de acordo com a tolerância do paciente.
Duração: 15 dias
Fase 3. Dieta de purê:
Inicia-se no final do primeiro mês de cirurgia e tem duração de 1 semana.
É uma sopa totalmente liquidificada e coada, onde ainda não existem pedaços de alimentos.
Essa fase é constituída de purês, pastas ou cremes, suflê, caldo de feijão, carne triturada ou moída, legumes ralados e sem casca.
Recomendações: Atenção na MASTIGAÇÃO, velocidade da ingestão dos alimentos e consistência.
Fase 4. Otimização da dieta, dieta branda.
Inicia por volta do 30º dia após a cirurgia. Os alimentos já estão próximos à consistência normal, mantendo-se a restrição à alimentos crus e com fibras.
Essa fase é constituída de alimentos na consistência normal, com tempo de cozimento aumentado, não se incluindo frituras.
Recomendações: Atenção quanto as escolhas dos alimentos ingeridos, optar por refeições nutritivas. Aplicar os conceitos da reeducação nutricional.
Tempo de duração: 1 semana
Fase 4. Adaptação final e independência alimentar:
ALIMENTAÇÃO Inicia com 1 mês e meio de cirurgia e evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois. Dieta deverá ser normal, mantendo apenas o controle de volume e balanceamento nutricional.
As restrições alimentares serão em relação ao consumo de bagaços, sementes, cascas duras especialmente de verduras e legumes, alimentos como carnes duras, empanados e frituras.
Em geral deve-se procurar manter:
• Plano alimentar com seis refeições fracionadas ao dia, pequenos volumes e freqüentes.
• Mastigar muito bem os alimentos, alimentando-se ambiente tranqüilo e sem pressa.
• Ingerir líquidos somente entre as refeições, nunca durante, preferindo água ou água de coco.
• Não consumir doces e refrigerante
• Procurar equilibrar a dieta ao longo do dia.
• Parar de comer assim que sentir-se satisfeito.
• Praticar atividade física diária
Retornar ao acompanhamento sempre que solicitado.
Os primeiros dias de alimentação pós cirúrgica são específicos e devem ser seguidos para evitar algumas complicação.
As modificações ocorrem por fases: liquida, pastosa, purê, mole e consistência normal, mas deverá seguir de acordo com cada paciente.
Fase 1. Alimentação líquida restrita (7 dias)
Os alimentos estão na forma líquida (caldos), constituída de pequenos volumes, cerca de 100 a 150 ml, fracionados em 6 a 8 vezes ao dia, respeitando um intervalo de 2 horas entre as refeições. Os alimentos deverão ser tomados lentamente, demorando cerca de 40 minutos para ser ingerido.
A atenção especial nessa fase é a forma de ingestão dos alimentos, volume alimentar ingerido, fracionamento e preparo dos alimentos.
Essa fase é constituída de água, chá ervas, gelatina diet, sucos naturais coados, caldos, sopas liquidificadas, leite desnatado, vitaminas ralas, iogurte dietético sem pedaços.
Recomendações: Atenção na forma de ingestão dos alimentos – principalmente VELOCIDADE - e na hidratação, através da coloração da urina (urina escura pode ser sinal inicial da desidratação), sede e língua e boca secas.
Fase 2. Dieta Pastosa:
Esta fase caracteriza-se por consistência de sopa cremosa/pastosa.
Os alimentos da sopa deverão ser liquidificados e coados em peneiras fina e grossa, de acordo com orientação nutricional.
Nesta fase a quantidade a ser ingerida é a mesma da primeira semana, de 100 a 150 ml, de acordo com a tolerância do paciente.
Duração: 15 dias
Fase 3. Dieta de purê:
Inicia-se no final do primeiro mês de cirurgia e tem duração de 1 semana.
É uma sopa totalmente liquidificada e coada, onde ainda não existem pedaços de alimentos.
Essa fase é constituída de purês, pastas ou cremes, suflê, caldo de feijão, carne triturada ou moída, legumes ralados e sem casca.
Recomendações: Atenção na MASTIGAÇÃO, velocidade da ingestão dos alimentos e consistência.
Fase 4. Otimização da dieta, dieta branda.
Inicia por volta do 30º dia após a cirurgia. Os alimentos já estão próximos à consistência normal, mantendo-se a restrição à alimentos crus e com fibras.
Essa fase é constituída de alimentos na consistência normal, com tempo de cozimento aumentado, não se incluindo frituras.
Recomendações: Atenção quanto as escolhas dos alimentos ingeridos, optar por refeições nutritivas. Aplicar os conceitos da reeducação nutricional.
Tempo de duração: 1 semana
Fase 4. Adaptação final e independência alimentar:
ALIMENTAÇÃO Inicia com 1 mês e meio de cirurgia e evolui de acordo com as características individuais podendo iniciar-se um pouco antes ou um pouco depois. Dieta deverá ser normal, mantendo apenas o controle de volume e balanceamento nutricional.
As restrições alimentares serão em relação ao consumo de bagaços, sementes, cascas duras especialmente de verduras e legumes, alimentos como carnes duras, empanados e frituras.
Em geral deve-se procurar manter:
• Plano alimentar com seis refeições fracionadas ao dia, pequenos volumes e freqüentes.
• Mastigar muito bem os alimentos, alimentando-se ambiente tranqüilo e sem pressa.
• Ingerir líquidos somente entre as refeições, nunca durante, preferindo água ou água de coco.
• Não consumir doces e refrigerante
• Procurar equilibrar a dieta ao longo do dia.
• Parar de comer assim que sentir-se satisfeito.
• Praticar atividade física diária
Retornar ao acompanhamento sempre que solicitado.
Fisioterapia na Cirurgia Bariátrica.
fisioO Pulmão é um órgão essencial à vida,pois é responsável pela troca de oxigênio do nosso organismo. Situado na região do tórax,acima do abdome, portanto, próximo ao estômago, região onde será realizada a cirurgia. A importância dos exercícios respiratórios, no pós-operatório imediato (durante a internação),é muito grande para que o pulmão não venha a sofrer complicações desnecessárias,como: pneumonias e atelectasias (fechamento de um faixa do pulmão),principalmente do terço inferior deste,situado na base do tórax.
De acordo com a necessidade individual, opção da equipe cirúrgica e disponibilidade do paciente, pode ser solicitada fisioterapia respiratória antes da cirurgia programada, para melhorar a qualidade do fluxo respiratório do paciente
No hospital, iniciamos exercícios respiratórios ativos com auxílio das mãos, braços e de um aparelho simples chamado RESPIRON®. Estes exercícios dão-nos a chance de ventilar melhor o pulmão, pois devido à dor do pós-operatório, por menor que ela seja, faz com que a respiração se tome curta e não tão eficaz.
EXERCíCIOS:
COM AS MÃOS:colocar as mãos sobre as bases dos pulmões e com a inspiração (puxar o ar), empurrar as mãos para fora;
COM OS BRACOS: elevar os dois braços ao mesmo tempo em que se faz a inspiração, facilitando a entrada do fluxo de ar, com a abertura das costelas;
COM O RESPIRON:
manter a escala dele no nível O (zero)
colocar o bocal entre os lábios,fechando-os completamente;
segurar a base do aparelho com uma das mãos
inspirar com forca até que as 3 bolinhas se mantenham no alto por pelo menos 03 segundos.
repetir isso a cada 01 hora, com séries de 15 (quinze) vezes e intervalos de 05 em 05, durante 20 (vinte) dias
aumentar a escala do seu RESPIRON de O para 01,02 ou 03,conforme for ficando fácil a realização dos exercícios
NEM TUDO SÃO FLORES!!!!!!! NEM TUDO SÃO FLORES!!! (Pontos negativos)
NEM TUDO SÃO FLORES!!!!!!! NEM TUDO SÃO FLORES!!! (Pontos negativos)
Consequências inesperadas provocadas pela cirurgia bariátrica
Poucas sensações são tão desagradáveis para um obeso quanto entrar em uma loja e, mesmo sem dizer uma palavra, ser prontamente informado pelos vendedores de que, “infelizmente, não há roupas que sirvam”. Após a cirurgia bariátrica (a popular redução de estômago), contudo, desconfortos como esse dão lugar a elogios, autoestima elevada e uma nova vida, em que a balança não representa mais um pesadelo. Não é, contudo, sempre assim. Segundo uma pesquisa feita por médicos da Universidade de São Paulo (USP), do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vários estudos feitos na última década apontam que, cada vez mais, pacientes que se submetem ao procedimento têm apresentado comportamentos compulsivos, depressão e, em casos extremos, chegam a cometer suicídio — mesmo estando magros como sempre sonharam.
Paulo Sallet, médico assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP e um dos autores do trabalho, conta que a compilação de informações sobre o acompanhamento psicológico pós-cirurgia surgiu a partir de 12 anos de observação dos pacientes operados. Segundo ele, embora grande parte deles tenha efetiva melhora de condições clínicas e funcionais, como menos risco de morrer por doenças cardiovasculares (-56%), câncer (-60%) e diabetes (-92%), alguns podem apresentar complicações psicossociais. “Fatores como autoimagem corporal, traços de personalidade e presença de compulsão alimentar prévios à intervenção, dentre outros, têm sido implicados na evolução e no prognóstico desses pacientes”, completa Sallet. Entre os problemas, está o aumento do transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), complicação mais recorrente nos pacientes da cirurgia.
Por outro lado, o médico diz que, em alguns casos, é possível que condições psiquiátricas prévias se agravem, ou até mesmo novas doenças surjam após a cirurgia. “Provavelmente, essas novas patologias são resultantes de fatores como necessidade de adaptação psicossocial à nova condição e de alterações psíquicas decorrentes de deficit nutricional”, detalha Sallet. Segundo o estudo, de 20% a 70% das pessoas que procuram a cirurgia têm histórico de transtornos mentais.
Qual seria, então, a ligação entre essas doenças e a obesidade? Seria o excesso de peso o responsável pelo sofrimento psicológico ou são os problemas psíquicos que induzem a um estilo de vida alimentar e comportamental que leva ao aumento de peso? De acordo com o médico, as duas coisas — e mais um pequeno, porém importante, detalhe: a genética. “Para que se tenha uma ideia, a taxa de concordância de obesidade em gêmeos fraternos é descrita como em torno de 20% a 30%, enquanto que em gêmeos geneticamente idênticos ela sobe para 70% a 80%”, exemplifica.
Preparação
Antes de se submeter à cirurgia bariátrica, além de meditar sobre as mudanças desejadas, Tulio Marcos da Cunha, médico-cirurgião do aparelho digestivo e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), explica que os aspirantes a pacientes devem passar por exames pré-operatórios fundamentais. Os testes consistem em avaliações nutricionais, cardiológicas e endocrinológicas. “E um deles é a avaliação psicológica, na qual os médicos avaliam e preparam o obeso para o procedimento”, complementa o médico. Ao todo, os pacientes precisam esperar de dois a seis meses até que todos os testes sejam concluídos.
Muitas vezes subestimado, especialmente após a cirurgia, Cunha salienta que o acompanhamento psicológico não é uma maneira de dar dicas sobre como ser magro. O objetivo principal, na verdade, é acompanhar o processo de adaptação da operação ao modo de vida do paciente. “É importante que fiquem claros os objetivos do tratamento e a parte do próprio paciente, ou seja, no que ele vai precisar colaborar”, acrescenta. Paula Luciana da Silva, psicóloga clínica que atua no acompanhamento de pacientes bariátricos, reforça: essa colaboração não pode ser deixada de lado um minuto sequer. “Não trabalho com expectativa de alta, porque, a partir do momento que estabelecemos um tempo, podemos negligenciar alguns dados”, completa.
Esses dados podem ser cruciais para que o ex-obeso, realmente, adapte-se à nova vida sem sofrimento. É no consultório do psicólogo que eles entenderão o papel da comida em suas vidas e, principalmente, como vencer eventuais frustrações sem precisar dela como muleta. “A pessoa está operando o estômago, não a história de vida”, comenta a psicóloga. Ainda que não volte a engordar, ela salienta que os conflitos continuam ali e precisam ser trabalhados. “Eles têm medo de errar e a cobrança fica maior. Aí vem a frustração, que pode desencadear compulsões.”
“Na cabeça”
Desde que fez a cirurgia bariátrica, há um ano e oito meses, Vanessa Steiner, 39 anos, não passa mais apuros quando precisa comprar roupas. Na verdade, agora ela se policia para acertar a própria numeração. “Sempre peço números maiores. Você emagrece e não se vê magra”, justifica. Se, antes, a engenheira era “ignorada” pelas outras pessoas, agora ela conta que a realidade é bem diferente: de repente, começou o assédio masculino — e até mesmo a desconfiança de amigas casadas ou compromissadas. “Antes, você era a gordinha simpática. Agora, você é uma ameaça.”
De todas as dificuldades que enfrentou para se adaptar ao novo corpo, Vanessa conta que as mais tortuosas se passaram dentro de sua própria mente. “Tudo de ruim que acontece comigo, desconto nos doces”, resume. “O sentimento que tenho é de estar viciada. Vejo reportagens sobre drogados e me enxergo neles.” Mesmo com o acompanhamento psicológico, ela reconhece que superar antigos traumas e novas obsessões é uma tarefa a ser cumprida a longo prazo. “As pessoas trocam comida por outras coisas, como comprar sem parar e ficar viciado em sexo. No meu caso, a compulsão continuou. Por isso, acho que a cirurgia deveria ser na cabeça”, brinca.
Ao contrário de Vanessa, Bianca Torres, 48 anos, conta que não teve problemas de adaptação, nem antes nem depois da cirurgia. “Isso só acontece com pessoas que não foram bem orientadas pela equipe médica”, sustenta. Para se preparar para a operação, Bianca leu sobre os prós e os contras por sete anos antes de se decidir. Se antes da operação a pedagoga já se considerava uma “gordinha bem resolvida”, quatro anos depois da intervenção ela é só autoestima. Sobre amigas que passaram a gastar o salário com lingeries e sapatos aos homens que se tornaram mulherengos, Bianca tem uma opinião forte: falta informação. “A cirurgia é apenas um coadjuvante no processo de emagrecimento”, ensina. “Passamos de obesos a pessoas normais, e elas também têm que se controlar para não engordar.”
Dados preocupantes
Os autores do trabalho brasileiro citam outro estudo, feito em 2007 por pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que ilustra a incidência de mortes entre pessoas que passaram pela cirurgia. Segundo os americanos, mortes associadas a acidentes e/ou suicídio são 58% maiores em indivíduos no estágio pós-cirúrgico quando comparados aos que não fizeram a operação — isso sem contar os óbitos associados a comportamentos impulsivos, como bulimia e acidentes de trânsito. A maior parte dos suicídios se deu após apenas um ano da intervenção.
Mais e mais rapidamente
Como o próprio nome sugere, o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) caracteriza-se por episódios em que a pessoa passa a se alimentar compulsivamente, em quantidades significativamente maiores que indivíduos normais consumiriam. Além de comerem desenfreadamente, pacientes com o transtorno comem mais rápido que o normal e, geralmente, o fazem sozinhos, com vergonha do julgamento alheio. Após as crises, é comum sentir-se angustiado e frustrado. Sentir-se mal consigo mesmo, deprimido ou com culpa em excesso também é consequência comum — o que, obviamente, influencia no bem-estar psicológico dessas pessoas. Embora tenha sido observado principalmente em pessoas obesas, o transtorno também acomete indivíduos com peso normal.
Consequências inesperadas provocadas pela cirurgia bariátrica
Poucas sensações são tão desagradáveis para um obeso quanto entrar em uma loja e, mesmo sem dizer uma palavra, ser prontamente informado pelos vendedores de que, “infelizmente, não há roupas que sirvam”. Após a cirurgia bariátrica (a popular redução de estômago), contudo, desconfortos como esse dão lugar a elogios, autoestima elevada e uma nova vida, em que a balança não representa mais um pesadelo. Não é, contudo, sempre assim. Segundo uma pesquisa feita por médicos da Universidade de São Paulo (USP), do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares (Proata) e da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), vários estudos feitos na última década apontam que, cada vez mais, pacientes que se submetem ao procedimento têm apresentado comportamentos compulsivos, depressão e, em casos extremos, chegam a cometer suicídio — mesmo estando magros como sempre sonharam.
Paulo Sallet, médico assistente do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da USP e um dos autores do trabalho, conta que a compilação de informações sobre o acompanhamento psicológico pós-cirurgia surgiu a partir de 12 anos de observação dos pacientes operados. Segundo ele, embora grande parte deles tenha efetiva melhora de condições clínicas e funcionais, como menos risco de morrer por doenças cardiovasculares (-56%), câncer (-60%) e diabetes (-92%), alguns podem apresentar complicações psicossociais. “Fatores como autoimagem corporal, traços de personalidade e presença de compulsão alimentar prévios à intervenção, dentre outros, têm sido implicados na evolução e no prognóstico desses pacientes”, completa Sallet. Entre os problemas, está o aumento do transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP), complicação mais recorrente nos pacientes da cirurgia.
Por outro lado, o médico diz que, em alguns casos, é possível que condições psiquiátricas prévias se agravem, ou até mesmo novas doenças surjam após a cirurgia. “Provavelmente, essas novas patologias são resultantes de fatores como necessidade de adaptação psicossocial à nova condição e de alterações psíquicas decorrentes de deficit nutricional”, detalha Sallet. Segundo o estudo, de 20% a 70% das pessoas que procuram a cirurgia têm histórico de transtornos mentais.
Qual seria, então, a ligação entre essas doenças e a obesidade? Seria o excesso de peso o responsável pelo sofrimento psicológico ou são os problemas psíquicos que induzem a um estilo de vida alimentar e comportamental que leva ao aumento de peso? De acordo com o médico, as duas coisas — e mais um pequeno, porém importante, detalhe: a genética. “Para que se tenha uma ideia, a taxa de concordância de obesidade em gêmeos fraternos é descrita como em torno de 20% a 30%, enquanto que em gêmeos geneticamente idênticos ela sobe para 70% a 80%”, exemplifica.
Preparação
Antes de se submeter à cirurgia bariátrica, além de meditar sobre as mudanças desejadas, Tulio Marcos da Cunha, médico-cirurgião do aparelho digestivo e membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), explica que os aspirantes a pacientes devem passar por exames pré-operatórios fundamentais. Os testes consistem em avaliações nutricionais, cardiológicas e endocrinológicas. “E um deles é a avaliação psicológica, na qual os médicos avaliam e preparam o obeso para o procedimento”, complementa o médico. Ao todo, os pacientes precisam esperar de dois a seis meses até que todos os testes sejam concluídos.
Muitas vezes subestimado, especialmente após a cirurgia, Cunha salienta que o acompanhamento psicológico não é uma maneira de dar dicas sobre como ser magro. O objetivo principal, na verdade, é acompanhar o processo de adaptação da operação ao modo de vida do paciente. “É importante que fiquem claros os objetivos do tratamento e a parte do próprio paciente, ou seja, no que ele vai precisar colaborar”, acrescenta. Paula Luciana da Silva, psicóloga clínica que atua no acompanhamento de pacientes bariátricos, reforça: essa colaboração não pode ser deixada de lado um minuto sequer. “Não trabalho com expectativa de alta, porque, a partir do momento que estabelecemos um tempo, podemos negligenciar alguns dados”, completa.
Esses dados podem ser cruciais para que o ex-obeso, realmente, adapte-se à nova vida sem sofrimento. É no consultório do psicólogo que eles entenderão o papel da comida em suas vidas e, principalmente, como vencer eventuais frustrações sem precisar dela como muleta. “A pessoa está operando o estômago, não a história de vida”, comenta a psicóloga. Ainda que não volte a engordar, ela salienta que os conflitos continuam ali e precisam ser trabalhados. “Eles têm medo de errar e a cobrança fica maior. Aí vem a frustração, que pode desencadear compulsões.”
“Na cabeça”
Desde que fez a cirurgia bariátrica, há um ano e oito meses, Vanessa Steiner, 39 anos, não passa mais apuros quando precisa comprar roupas. Na verdade, agora ela se policia para acertar a própria numeração. “Sempre peço números maiores. Você emagrece e não se vê magra”, justifica. Se, antes, a engenheira era “ignorada” pelas outras pessoas, agora ela conta que a realidade é bem diferente: de repente, começou o assédio masculino — e até mesmo a desconfiança de amigas casadas ou compromissadas. “Antes, você era a gordinha simpática. Agora, você é uma ameaça.”
De todas as dificuldades que enfrentou para se adaptar ao novo corpo, Vanessa conta que as mais tortuosas se passaram dentro de sua própria mente. “Tudo de ruim que acontece comigo, desconto nos doces”, resume. “O sentimento que tenho é de estar viciada. Vejo reportagens sobre drogados e me enxergo neles.” Mesmo com o acompanhamento psicológico, ela reconhece que superar antigos traumas e novas obsessões é uma tarefa a ser cumprida a longo prazo. “As pessoas trocam comida por outras coisas, como comprar sem parar e ficar viciado em sexo. No meu caso, a compulsão continuou. Por isso, acho que a cirurgia deveria ser na cabeça”, brinca.
Ao contrário de Vanessa, Bianca Torres, 48 anos, conta que não teve problemas de adaptação, nem antes nem depois da cirurgia. “Isso só acontece com pessoas que não foram bem orientadas pela equipe médica”, sustenta. Para se preparar para a operação, Bianca leu sobre os prós e os contras por sete anos antes de se decidir. Se antes da operação a pedagoga já se considerava uma “gordinha bem resolvida”, quatro anos depois da intervenção ela é só autoestima. Sobre amigas que passaram a gastar o salário com lingeries e sapatos aos homens que se tornaram mulherengos, Bianca tem uma opinião forte: falta informação. “A cirurgia é apenas um coadjuvante no processo de emagrecimento”, ensina. “Passamos de obesos a pessoas normais, e elas também têm que se controlar para não engordar.”
Dados preocupantes
Os autores do trabalho brasileiro citam outro estudo, feito em 2007 por pesquisadores da Universidade de Utah, nos Estados Unidos, que ilustra a incidência de mortes entre pessoas que passaram pela cirurgia. Segundo os americanos, mortes associadas a acidentes e/ou suicídio são 58% maiores em indivíduos no estágio pós-cirúrgico quando comparados aos que não fizeram a operação — isso sem contar os óbitos associados a comportamentos impulsivos, como bulimia e acidentes de trânsito. A maior parte dos suicídios se deu após apenas um ano da intervenção.
Mais e mais rapidamente
Como o próprio nome sugere, o transtorno da compulsão alimentar periódica (TCAP) caracteriza-se por episódios em que a pessoa passa a se alimentar compulsivamente, em quantidades significativamente maiores que indivíduos normais consumiriam. Além de comerem desenfreadamente, pacientes com o transtorno comem mais rápido que o normal e, geralmente, o fazem sozinhos, com vergonha do julgamento alheio. Após as crises, é comum sentir-se angustiado e frustrado. Sentir-se mal consigo mesmo, deprimido ou com culpa em excesso também é consequência comum — o que, obviamente, influencia no bem-estar psicológico dessas pessoas. Embora tenha sido observado principalmente em pessoas obesas, o transtorno também acomete indivíduos com peso normal.
Quem fez cirurgia bariátrica deve evitar ingestão de bebida alcoólica.
Quem fez cirurgia bariátrica deve evitar ingestão de bebida alcoólica,
Brasília – As pessoas que fizeram cirurgia bariátrica devem evitar a ingestão de bebida alcoólica, conforme recomendação de Simone Marchesini, coordenadora-geral de psicologia da Comissão de Especialidades Associadas, da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM). “A sensibilidade ao álcool aumenta depois da cirurgia e, além disso, é um líquido com alto valor calórico”, disse.
Mário Carra, presidente da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso), concorda com Simone. Ele explicou que o álcool é absorvido mais rapidamente por quem fez a cirurgia bariátrica, e isso acelera a embriaguez. Constatou que muitos trocam a compulsão por comida pela compulsão por bebida. “A recomendação é não beber álcool, e isso é explicado desde antes da cirurgia”, disse Carra.
Segundo ele, a cirurgia bariátrica não cura a obesidade, ela controla. “A pessoa tem que entender que obesidade é doença crônica. Se o paciente não se controla, se não adota os exercícios físicos e uma nova alimentação, ele vai voltar a ganhar peso. A cirurgia é só metade do caminho do paciente obeso”, ressaltou.
Almino Ramos, presidente da SBCBM, declarou que essa consciência de mudança de estilo de vida a pessoa que passou por uma cirurgia bariátrica tem que ter. “É preciso fazer uma reeducação alimentar, passar a fazer atividades físicas, ter horários para comer, comer devagar, seguir o uso de determinados suplementos. Alguns pacientes não se adaptam a esse programa e correm riscos de ter resultados inferiores aos previstos, voltam a ganhar peso ou a ter os problemas de saúde de antes”, disse.
Simone Marchesini destacou que muitos pacientes, após a cirurgia, passam a se sentir bem e, por isso, deixam de tomar os suplementos necessários, e quando vão procurar ajuda já estão com anemia grave. Luzia Tremendani, de 32 anos, fez a cirurgia há quatro anos e disse que quando emagreceu deixou de tomar os suplementos. “Agora percebi que estou com anemia, pensei que eu não precisava tomar mais as vitaminas”,disse. “É preciso ver a cirurgia como uma mudança de estilo de vida, e não como mais uma dieta, se não ela volta ao estilo antigo”, alertou Simone. Segundo ela, “periodicamente a pessoa tem que ir ao serviço bariátrico para renovar o compromisso com o estilo de vida de magro”, completou.
A psicóloga considera importante a informação trazida por meio de grupos formados nas clínicas e pela internet. Segundo ela, esses contatos ajudam muito a pessoa que pretende passar pelo procedimento cirúrgico. Bárbara Duarte, estudante de 22 anos, tinha 140 quilos quando fez a cirurgia em 2012. Em nove meses a estudante perdeu 50 quilos. Ela declarou que foi sem medo para a cirurgia. “Eu estudei bastante, entrei em blogs, li material sobre a cirurgia, entrei no grupo da clínica, fui fazer a cirurgia sabendo de tudo. Fui fazer com muita vontade e sem medo”. Ela hoje faz parte de um grupo virtual que compartilha informações sobre a cirurgia.
Em um grupo da rede social Facebook, os participantes relatam suas experiências e postam fotos de antes e de depois da cirurgia. Há ainda muitas postagens que mostram empolgação antes da cirurgia. Frases como: “Enfim chegou o meu dia, é um presente de Deus” e “É um sonho da minha vida que estou realizando”. Essa empolgação, segundo Simone, é prejudicial para o paciente. “O trabalho do psicólogo antes da cirurgia é desacelerar o paciente, tentar fazê-lo ver que não é um processo tão milagroso e tão fácil como ele pensa, e mostrar que as repercussões de longo prazo não são tão simples e fáceis”, alertou a psicóloga.
Atenção!!!!!
ATENÇÃO!!!!
O efeito da pílula anticoncepcional após a cirurgia pode ser reduzido?
O efeito da pílula anticoncepcional após a cirurgia pode ser reduzido?
Nas cirurgias restritivas não há problemas, mas nas cirurgias que privilegiam a mal-absorção, pode ser que a pílula anticoncepcional tenha eficácia reduzida. Em muitos casos, recomenda-se a utilização de dois métodos anticoncepcionais , mas essa é uma avaliação que deve ser feita caso a caso pelo ginecologista.
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